"Vê isto. Mal posso escrever-Te. Quisera eu ter controle sobre minhas mãos, fazer deste bilhete o mínimo legível possível. Quisera poder escrever-Te de maneira decente, organizar-me os pensamentos e poder dizer-Te o quão indigno me sinto; tentar fazer-Te saber da dor que corrói meu coração, me castiga e sufoca.
Penso não ser possível nem agora, nem nunca.
Ó, mestre, quando foi que me deixei corromper pela dúvida que há tempos vem cirandando meus pensamentos a ponto de fazer-me cometer tão grande erro e pecar contra os céus?
Me escolheste. Mesmo sendo reservado, mesmo sem ser dotado de intrepidez alguma para pregar Tua palavra, me escolheste. Nunca entendi Tuas decisões, pareciam-me loucas, mas Tua sabedoria sempre esfacelava minhas indagações. As provas visíveis eram mais fortes.
Segui-Te, admirei-Te, mas, com tristeza de morte, confesso, que talvez nunca tenha Te amado como deveria.
Noite passada sabias que seria eu? Fui predestinado a isto?
Ó, mestre, caminhar ao Teu lado foi enobrecedor. Honrado sentia-me por acreditares em mim, mesmo que ninguém me desse crédito. Dos doze, escolheste a mim para cuidar das finanças de tua obra, mesmo conhecendo-me melhor que eu. Mesmo sabendo...
Querias testar-me? Avaliar-me o caráter falho? Ensinar-me?
Tenho dúvidas. A consciência faz de mim um homem atordoado em confusões.
É minha somente a culpa. Como pude fazer-Te tão irreparável mal? És mais valioso que qualquer vaso de alabastro, qualquer quantia em ouro e prata, mas entreguei-Te, entreguei o filho do homem, pelo equivalente ao preço de um escravo.
Ali, diante do sinédrio, percebendo que fora eu, me ofereces a face e me chamas amigo.
Ó mestre, Teu amor me constrange.
Não consigo decifrar teu olhar e entender o significado de tuas palavras. Terias me perdoado se...
O remorso me condena e faz-me a renunciar tua compassível misericórdia e benevolência. Sinto-me imerecedor do teu reino, ainda que, diante de tudo, me quiseres pertencente a ele."
“(...) foi enforcar-se.” Mateus 27. 5
Penso não ser possível nem agora, nem nunca.
Ó, mestre, quando foi que me deixei corromper pela dúvida que há tempos vem cirandando meus pensamentos a ponto de fazer-me cometer tão grande erro e pecar contra os céus?
Me escolheste. Mesmo sendo reservado, mesmo sem ser dotado de intrepidez alguma para pregar Tua palavra, me escolheste. Nunca entendi Tuas decisões, pareciam-me loucas, mas Tua sabedoria sempre esfacelava minhas indagações. As provas visíveis eram mais fortes.
Segui-Te, admirei-Te, mas, com tristeza de morte, confesso, que talvez nunca tenha Te amado como deveria.
Noite passada sabias que seria eu? Fui predestinado a isto?
Ó, mestre, caminhar ao Teu lado foi enobrecedor. Honrado sentia-me por acreditares em mim, mesmo que ninguém me desse crédito. Dos doze, escolheste a mim para cuidar das finanças de tua obra, mesmo conhecendo-me melhor que eu. Mesmo sabendo...
Querias testar-me? Avaliar-me o caráter falho? Ensinar-me?
Tenho dúvidas. A consciência faz de mim um homem atordoado em confusões.
É minha somente a culpa. Como pude fazer-Te tão irreparável mal? És mais valioso que qualquer vaso de alabastro, qualquer quantia em ouro e prata, mas entreguei-Te, entreguei o filho do homem, pelo equivalente ao preço de um escravo.
Ali, diante do sinédrio, percebendo que fora eu, me ofereces a face e me chamas amigo.
Ó mestre, Teu amor me constrange.
Não consigo decifrar teu olhar e entender o significado de tuas palavras. Terias me perdoado se...
O remorso me condena e faz-me a renunciar tua compassível misericórdia e benevolência. Sinto-me imerecedor do teu reino, ainda que, diante de tudo, me quiseres pertencente a ele."
“(...) foi enforcar-se.” Mateus 27. 5
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